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CANUMÃ: A TRAVESSIA

(Sinopse)

 

Canumã: a travessia é o livro de estreia de Ytanajé Cardoso. Este livro registra a preocupação do seu autor, que é oriundo da etnia Munduruku, com o futuro próximo dos seus parentes. Em forma de romance, ele apresenta de forma original o seu povo e os seus problemas mais urgentes.

     
     Autor: Prof. Ytanajé Coelho Cardoso

O autor conseguiu, por meio da ficção, trazer até os seus leitores preocupações que não são somente dos munduruku. Ele, na condição de um dos jovens-adultos, e que deixou a sua aldeia para aprender a decifrar o código dos brancos (pariwát), assumiu o compromisso, desde adolescente, de não deixar morrer os parentes que optaram por ficar na comunidade, permitindo a chegada dos que virão. Daí o nascimento deste livro.

O título reporta-se ao rio que banha a região onde habitam os munduruku do Estado do Amazonas. O termo “travessia” registra o momento de intensas transformações vividas por aquele povo, pelas suas perdas e pelos seus ganhos: os munduruku estão no meio da ponte – entre o passado e o futuro, tentando resguardar o que é seminal para sua sobrevivência e apreender, do estrangeiro, da melhor maneira possível, o que lhes poderá garantir a existência com dignidade. A maior preocupação é com o desaparecimento da língua, uma vez que se vão os seus últimos anciãos.

Um dos pontos relevantes da cultura munduruku é a posição ocupada pelos velhos: estes são a garantia de que os costumes serão mantidos, portanto, na permanência do que é antigo, resguarda-se o passado, mantém-se o presente, e espera-se o futuro. Porém, a ordem inaugural inscreve a morte como verdade absoluta, e os velhos se vão. Hoje, resta apenas Ester, a viúva de Parawá, o último grande sábio, como a grande guardiã do conhecimento.

Com a partida dos velhos ou dos antigos acontece a grande tragédia dos povos indígenas: a morte da Língua. Canumã: a travessia mostra a preocupação e a luta para resguardar o conhecimento ancestral. O momento mais tenso e emocionante do livro é o emudecimento de Parawá, o seu recolhimento numa rede, e depois a sua morte. Todos os munduruku ficaram órfãos, e poucos compreenderam a essencialidade da Língua, daí o esforço de alguns de aprenderem e de ensinarem aos mais jovens ainda. A vó Ester assumiu o vazio deixado por seu Parawá, mas ela é a pequena-grande luz que precisa de muitos outros para que todos não pereçam.

Além deste grande tema, Canumã: a travessia apresenta as motivações que levam muitos indígenas a deixarem a terra que nasceram, a cultura e a deixarem de falar a língua materna; mostra também o modus vivendi de uma aldeia, o seu dia a dia, os romances, os divertimentos dos adultos, dos jovens e das crianças, a feitura da farinha, a caça, a pesca, as festas, os casamentos, os nascimentos, a invasão dos missionários. A luta dos povos indígenas não pode ser somente deles, pois ela é também nossa. Como vivermos sem caminhos ou alternativas? Com a partida de cada povo, nós ficamos mais sós?

Este livro termina com a morte do último sábio munduruku. Este desfecho representa muito mais do que possamos imaginar.

 

Neiza Teixeira

Autora de Para aquém ou para além de nós.

 

LANÇAMENTO

Data: 17/04/2019

Horário: 15h

Local: Auditório da Escola Normal Superior (UEA), Av. Djalma Batista, nº 2470, Chapada, do lado do Amazonas Shopping.

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